sábado, 1 de maio de 2010

Dica cultural: Os EUA X John Lennon


Um beatle enfrenta o poder do Império

“Os EUA X John Lennon” mostra o lado político e militante do cantor inglês

• No início de abril chegou tardiamente às telonas do país o documentário “Os EUA X John Lennon”, produzido em 2006 e exibido na Mostra Internacional de Cinema em São Paulo no ano seguinte.

O filme mostra uma faceta bem menos conhecida do então ex-líder dos Beatles: seu ativismo político na luta contra a guerra do Vietnã e em defesa dos direitos civis. Como o nome do longa sugere, o cantor desatou e teve de enfrentar a dura reação do governo norte-americano.

Mundo em efervescência
O documentário foca o período que vai de 1966 a 1976. Enquanto na Europa explodia o Maio francês, os EUA assistiam a emergência dos movimentos de luta pelos direitos civis. A guerra do Vietnã, que nunca fora popular, provocava um amplo movimento de rechaço principalmente entre a juventude norte-americana.

E em meio a tudo isso, John Lennon, que abandonava a banda que o fizera famoso, não teve dúvidas. Junto com Yoko Ono, o inglês filho da classe operária como sempre fazia questão de ressaltar, se mudou para o epicentro daquele turbilhão que passava pelas ruas dos EUA: Nova Iorque. Abraçava, assim, o ativismo político.

Enquanto seus antigos companheiros aproveitavam a fortuna que haviam acumulado nos anos de estrelato, Lennon se politizava cada vez mais. Aproximou-se de ativistas políticos como Bobby Seale, líder dos Panteras Negras. Integrou-se numa campanha pela libertação do ativista John Sinclair, preso ao oferecer dois baseados a policiais disfarçados.

O longa mostra como o beatle, extremamente consciente de sua influência e da força de sua imagem, a utilizou na luta contra a guerra e na campanha pelas liberdades democráticas no país. Arrebanhando uma legião de seguidores e oferecendo uma trilha sonora para as mobilizações, Lennon logo provocou a reação do conservador governo Nixon.

Perseguição
Com depoimentos de Yoko e intelectuais como Tariq Ali, Noam Chomski, Gore Vidal, entre outros, incluindo um ex–agente do FBI, o filme reconstrói o episódio em que Lennon enfrentou a ira do governo da maior potência do planeta.

Nixon ficava cada vez mais preocupado com a aproximação de Lennon com ativistas, e o seu crescente engajamento. “Ele por si só não era um problema, mas ao apoiar gente que queríamos colocar na cadeia, ele passou a representar um problema”, sintetiza o ex-agente do órgão de informação.

O governo logo colocou espiões do FBI no encalço do artista, tentando intimidá-lo de forma ostensiva. Assim, o governo norte-americano expunha a hipocrisia de sua tão propalada “democracia”, a mesma que diziam estar defendendo ao apoiar militarmente a monarquia ditatorial do Vietnã do Sul.

Após fazer uma devassa na vida do cantor, o governo descobriu que Lennon havia sido detido anos antes na Inglaterra por posse de drogas. Foi o pretexto para que o governo Nixon desatasse uma tentativa de deportar o casal problemático, numa batalha jurídica que se arrastou por anos.

Intercalando depoimentos atuais com imagens e entrevistas da época, o documentário mostra que a luta política de Lennon ia bem além do pacifismo hippie. Interessante notar, por exemplo, como o beatle se referia aos militantes no período como “revolucionários”.

“Os EUA X John Lennon” mostra não só a hipocrisia do governo e as intervenções militares que promovia em várias partes do mundo, e aqui a comparação com o governo Bush e até mesmo Obama são inevitáveis, mas discute também a potencialidade da arte unida à força de uma ideia, perigo que os EUA sabiam muito bem o que representava.

Ficha Técnica
Diretor: David Leaf, John Scheinfeld
Elenco: Depoimentos de: Walter Cronkite, Mario Cuomo, Angela Davis, G. Gordon Liddy, George McGovern, Yoko Ono, Geraldo Rivera
Produção: Brad Abramson, Kevin L. Beggs
Roteiro: David Leaf, John Scheinfeld
Fotografia: James Mathers
Duração: 99min
Ano: 2006
País: EUA

sábado, 3 de abril de 2010

Quando o samba perde a elegância de Walter Alfaiate

O sambista Walter Alfaiate morreu aos 79 anos de idade, no dia 27 de março, partindo quase anônimo e deixando mais de 200 sambas e um rastro de saudade

Por Rafael Nunes


• Para um bom conhecedor de samba, não era difícil reconhecer esse grande baluarte pelas rodas e shows no Rio de Janeiro. Ele ficou famoso por sua elegância e pelos sambas imortalizados em sua voz e nas gravações de outros compositores como Paulinho da Viola.

Nascido e criado em Botafogo, assim como Paulinho da Viola e diversos sambistas, numa época em que eram comuns os shows ao vivo em vários bares da cidade, Walter Alfaiate viveu a simplicidade e a musicalidade do bairro durante muito tempo freqüentando botequins, gafieiras e as rodas de samba.

“Botafogo não é mais o mesmo. Os bares viraram oficinas mecânicas. Eu costumo dizer que se ganhasse um bom dinheiro não moraria na Barra, porque é um local que não tem um boteco pra pessoa ‘bater um papo’, pedir uma cerveja, cantar um samba. E botafogo está ficando assim”, diz. “Na rua Rodrigo de Britto, tinha um bar chamado Fofoca que os sambistas frequentavam no final da noite pra bater papo e cantar. Paulinho da Viola apareceu por lá várias vezes. Também tinha o Leonel Azevedo que fazia valsa. Enfim, o pessoal tocava violão, cantava e quando percebia já tinha amanhecido”, lembrava com saudade.

Alfaiate por vocação, o que lhe rendeu o apelido dado por Sergio Cabral pai e Paulinho da Viola, aprendeu o ofício aos quatorze anos e seguiu nele para criar seus três filhos já que a profissão de músico, para ele, trazia muitas incertezas e se dizendo um apaixonado pelo ofício nunca abandonou a profissão enquanto realizava seus shows noturnos. Costurando roupas para vários artistas famosos, manteve uma alfaiataria em sua casa em Botafogo, depois quando morou na Lapa e por último em Copacabana onde residiu até a morte.

Walter de Abreu Nunes nasce em 1930 e junto com a vocação para a costura trazia toda a magnitude do samba. Autodidata, dono de uma voz lindíssima, desde a infância começou suas composições para blocos de carnaval como Foliões de Botafogo e São Clemente. No final da década de 50 já cantava no então famoso bar Bolero em Copacabana onde ficou conhecido por Walter sacode por interpretar com maestria o samba “Sacode Carola” de Hélio Nascimento e Alfredo Marques. Nos anos seguintes freqüentava assiduamente as rodas de samba do Teatro Opinião fazendo ainda parte dos grupos Reais do Samba e Samba Fofo que se destacavam. Só foi descoberto em 1970 quando Paulinho da Viola gravou três de seus grandes sucessos: “Coração Oprimido”, “A.M.O.R.Amor” e “Cuidado, Teu Orgulho Te Mata”.

“A.m.o.r amor
Aprendi soletrar, amei
Chorei sem aprender com ninguém
Quem aprende a amar, aprende a chorar também”


Teve, além de Paulinho da Viola, gravações por João Nogueira nas músicas “Bate Boca” e “Sorrir de Mim”. Elza Soares e Cristina Buarque gravaram a música “Violão amigo”.

Imprescindível e esquecido pelas gravadoras
Um talento descoberto tardiamente e que nunca foi reconhecido pelas gravadoras e as mídias, Walter Alfaiate, como boa parte dos melhores sambistas, foi um exemplo de profissionalismo, dedicação à cultura e a musicalidade popular chegando a mais de 200 sambas gravados.

Sobre a paixão pelo samba: “O samba me faz bem. Quer me ver satisfeito é numa roda de samba com cavaquinho e violão. Samba tem tudo isso: S de saúde, A de amor, M de mulher, B de bondade e A de amizade”, falava brincando.

Só conseguiu gravar seu primeiro disco quando já tinha 54 anos de samba e 68 de idade de forma independente. Com isso surge uma grande história. Walter Alfaiate demorou 30 anos para cumprir uma promessa feita aos amigos Mical e Miúdo: gravar uma música deles em seu primeiro disco. Quando conseguiu, Miúdo já havia morrido, mas Mical pode ver o CD com o nome da faixa deles. Uma belíssima música chamada “Olha aí”.

Olha aí,
Toda a minha gente reunida!
Parece que está bem decidida
e que atingiu o seu ideal!

Olha aí,
Veja a euforia, como é grande!
Note como o pessoal se expande,
Num gesto tão humilde e leal.

Cante com vontade minha gente!
Porque hoje já é carnaval!

Em cada bloco havia um estandarte
Em cada estandarte um dizer
Simbolizando que, nesses três dias,
Ninguém se lembraria,
Como é o sofrer!

Após a batucada pela rua,
Quarta-feira a vida continua!


http://www.youtube.com/watch?v=LgUlR-Czk5E

Esse primeiro disco só pode ser concretizado graças à ajuda de outro grande artista de nossa música popular. Como frequentava muitas rodas de samba, num almoço na casa de Clara Nunes conheceu Aldir Blank.

“Ele me ouviu cantando e me perguntou porque eu não gravava. Respondi que não tinha oportunidade, então ele afirmou: ‘Você vai gravar’. Eu guardei aquilo e realmente ele cumpriu sua promessa. O Aldir ficou tão inconformado por eu não gravar, que na época do jornal Pasquim publicou uma nota, que eu tenho guardado até hoje como relíquia, dizendo que não sabia porque eu não gravava, já que tinha uma voz formidável. Além do disco, participei com ele do show que comemorou os seus cinqüenta anos, no Canecão, no Rio”, contava emocionado.

O segundo e terceiro CDs de Walter Alfaiate também foram gravados de forma independente em São Paulo. O segundo disco, chamado Tributo a Mauro Duarte é uma homenagem ao amigo e grande parceiro de composições. Foi Mauro Duarte, um dos maiores compositores da Portela, que levou Alfaiate para a escola em 1982. Apaixonado definitivamente por Botafogo, outra grande homenagem ao amigo foi idealizar e realizar uma praça no bairro em seu nome. O local hoje é parte da movimentada agenda das melhores rodas de samba e choro do Rio de Janeiro.

Em 2009, depois de 65 anos dedicado ao samba, ele viu estrear o documentário Walter Alfaiate – A elegância do samba. Uma grande homenagem bem mais que merecida.

Walter Alfaiate sempre presente!
No último dia 27, um sábado de fevereiro, data em que ironicamente se comemorava o Dia Nacional do Idoso, Walter Alfaiate morreu aos 79 anos. Ele estava internado há dois meses e lutava contra um enfisema pulmonar e ineficiência cardíaca. Assim como ele, outros grandes sambistas vão partindo como quase anônimos diante da sociedade.

A falta de apoio dos governos à cultura popular e a total falta de compromisso das grandes empresas fonográficas fazem com que esses artistas tenham de viver com muitas dificuldades até o fim da vida. Foi assim com Alfaite, Luis Carlos da Vila, Camunguelo e tantos outros que encantaram cada roda de samba, que passaram e que deixam para sempre um rastro de saudades. Esses talentos citados estiveram presentes em vários eventos do DCE da UFRJ, da Conlutas e no Congresso Nacional dos Estudantes do qual tivemos a honra de cantar com Walter Alfaiate.

http://www.youtube.com/watch?v=AzjPm0KbmkU

domingo, 21 de março de 2010

Expressão cultural

Tendo em vista 2020,
no CONSUNI, a deliberação.
Plano diretor de toda a UFRJ,
ou só do campus de concentração?

O Palácio Universitário,
tombado e tombando,
padece com a nossa omissão...
Será usado como centro de convenções,
ou para ensino, pesquisa e extensão?

A Praia Vermelha não tem direito
à nenhum plano de expansão.
Para viabilizar nossa ida,
nossa permanência inviabilizarão.

O Samba das quintas morreu...
Arena? Laguinho? Não se usa mais não...
Evento cultural aqui por perto?
Talvez ali no canecão.

Mas a cultura não respeita deliberação.
Existe para a luta, e luta para existir.
A poesia é meio de comunicação,
Samba, instrumento de resistência,
cinema, de ocupação.
A Juquinhada dissemina a causa.
As fotos registram tudo, uma bela exposição!
O palco não é lugar para o teatro?
A platéia não é nosso lugar então.

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Concurso de Poesia Villa-Lobos

O C.A 6 de Outubro da Faculdade de Letras, em parceria da Biblioteca José de Alencar, da Roda de Letras (grupo de poetas da faculdade) e do DCE Mário Prata estão organizando o Concurso de Poesia Villa-Lobos, que visa prestar homenagem ao gênio da música no 50º ano de sua morte. O Concurso vai até o dia 02 de novembro e o vencedor será anunciado no dia 17 de novembro. Enviem seus poemas para o endereço concursovillalobos@gmail.com para participar.

PREMIAÇÃO:

  • 1º colocado: 2 livros oferecidos pela BJA + 1 Vale-Livro no valor de R$40,00 (quarenta reais)
  • 2º colocado: 2 livros oferecidos pela BJA + 1 Vale-Livro no valor de R$30,00 (trinta reais)
  • 3º colocado: 1 livro oferecidos pela BJA + 1 Vale-Livro no valor de R$25,00 (vinte e cinco reais)

Segue abaixo o regulamento ou baixe neste link:

http://www.4shared.com/file/141367845/6fb56e99/Regulamento_Villa_Lobos.html

CONCURSO LITERÁRIO
“50 ANOS SEM VILLA-LOBOS (1959-2009)”

Capítulo I. Do Concurso

Art. 1º O Concurso Literário “50 ANOS SEM VILLA-LOBOS (1959-2009)” é uma iniciativa do grupo de poetas “Roda de Letras” em conjunto com o Centro Acadêmico 6 de Outubro, o DCE Mário Prata da UFRJ e a Biblioteca José de Alencar (BJA) da Faculdade de Letras da UFRJ e destina-se a prestar homenagem ao músico brasileiro, no 50º ano de sua morte.
Art. 2º O Concurso Literário “50 ANOS SEM VILLA-LOBOS (1959-2009)” tem por objetivo estimular e fomentar a leitura, escrita e incentivar a transdisciplinaridade.
Art. 3º O Concurso Literário “50 ANOS SEM VILLA-LOBOS (1959-2009)” tem caráter exclusivamente cultural, sem nenhuma modalidade de sorteio ou pagamento pelos concorrentes, tampouco é vinculado à aquisição ou ao uso de quaisquer bem, direito ou serviço.

Capítulo II. Da Abrangência e participação

Art. 4º O Concurso literário é exclusivamente voltado para a comunidade discente da UFRJ.
Art. 5º Podem se inscrever e concorrer ao Concurso literário alunos de graduação e de pós-graduação de todas as unidades da UFRJ.

Art. 6º Não podem participar do Concurso Literário pessoas ligadas aos organizadores (Roda de Letras, Biblioteca José de Alencar – BJA, Centro Acadêmico 6 de Outubro e DCE Mário Prata da UFRJ)

Capítulo III. Das inscrições

Art 7º As inscrições são gratuitas e devem ser feitas no período de 02 de outubro a 02 de novembro de 2009.
Parágrafo único: Só serão considerados os trabalhos com data do envio da documentação dentro do prazo estabelecido. Será considerada a data protocolada na BJA, do envio pela internet.
Art. 8º As inscrições podem ser feitas via internet pelo e-mail: concursovillalobos@gmail.com
Art. 9º Cada participante deverá enviar três trabalhos para julgamento.
Art. 10º Deverão constar os seguintes dados: Nome completo, telefone de contato, e-mail, curso e pseudônimo (se houver).
Art. 11º Os trabalhos desenvolvidos em grupo deverão ser inscritos em nome de apenas um dos integrantes, mencionando os demais participantes.
Parágrafo único: O Prêmio será entregue apenas à pessoa em nome da qual o trabalho foi inscrito. Os organizadores não se responsabilizam pela divisão do prêmio entre os demais integrantes do grupo e nem pela autoria dos respectivos trabalhos.

Capítulo IV. Da apresentação dos textos
Art 12º Serão aceitos textos (poema e prosa) que versem sobre a vida e/ou obra musical de Heitor Villa-Lobos.
Art 13º Todos os textos devem ser inéditos.
Art 14º Os trabalhos entregues devem obedecer às seguintes características:
Poema: não deve ultrapassar 4 (quatro) páginas;
Prosa: não deve ultrapassar 10 páginas.
Art 15º Todos os textos devem ser digitados em corpo 12, fonte Arial, e formatados em folhas tamanho A4 e entregues em uma via.

Capítulo V. Do processo de seleção

Art 16º os trabalhos serão selecionados, por uma Comissão composta por 3 (três) integrantes do grupo Roda de Letras, 2 (dois) integrantes do Centro Acadêmico e 2 (dois) professores convidados pelos organizadores e 2 (dois) convidados.
Art 17º Os seguintes critérios serão considerados para a seleção e premiação dos trabalhos inscritos:
a) adequação ao tema; b) apresentação do texto no formato inscrito pelo autor; c) criatividade;
Parágrafo único: A Comissão poderá escolher mais de um contemplado por categoria, se assim julgar conveniente.

Capítulo VI. Da premiação

Art. 18º A premiação é composta de “1 kit de livros” para os 3 (três) primeiros colocados, conforme descrito abaixo:
1º colocado: 2 livros oferecidos pela BJA + 1 Vale-Livro no valor de R$40,00 (quarenta reais)
2º colocado: 2 livros oferecidos pela BJA + 1 Vale-Livro no valor de R$30,00 (trinta reais)
3º colocado: 1 livro oferecidos pela BJA + 1 Vale-Livro no valor de R$25,00 (vinte e cinco reais)
Art. 19º Os vencedores receberão também diploma.
Capítulo VII. Da divulgação do resultado
Art. 20º Os organizadores farão a divulgação no dia 17 de novembro de 2009, através dos Murais da Biblioteca José de Alencar, do Centro Acadêmico 06 de Outubro, do blog do DCE Mário Prata da UFRJ (dceufrjcultura.blogspot.com) e através da página da Faculdade de Letras (www.letras.ufrj.br).

Capítulo VIII. Das considerações finais
Art. 21º É de inteira responsabilidade dos inscritos o ônus relativo aos direitos autorais de textos, imagens e outros meios que acompanhem seu trabalho.
Art. 22º Ao se inscreverem, os participantes autorizam automaticamente aos organizadores a utilizar, editar, publicar, reproduzir, por meio de livros, jornais, revistas, televisão, rádio e internet, imagens, conteúdos e qualquer informação, sem restrição de espécie alguma.
Art. 23º Os materiais que forem encaminhados por solicitação dos organizadores não serão devolvidos. Caberá aos organizadores seu arquivamento ou destruição.
Art. 24º A escolha dos selecionados, dos premiados, da comissão selecionadora, assim como a decisão de casos omissos nesse regulamento, serão de inteira responsabilidade dos organizadores.
Parágrafo único: A Comissão é soberana e não haverá qualquer tipo de revisão ou recurso.
Art. 25º A participação no Concurso Literário “50 ANOS SEM VILLA-LOBOS (1959-2009)” implica a aceitação irrestrita deste regulamento.
Rio de Janeiro, 30 de setembro de 2009.

Boa Sorte!

R.L.

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Em breve...
Especial do DCE Woodstoock!
Globo e Record: tudo a ver com o poder
Cada um fala a verdade do outro.
Wilson H. Silva
da redação do Opinião Socialista

Há semanas, o sempre “pouco respeitado” público tem acompanhado uma disputa envolvendo, por um lado, a Rede Globo e, de outro, a Record.

A “briga” entre os canais de TV envolve lances de corrupção, golpes baixos vindos dos dois lados e horas e mais horas de “reportagens” colocadas no ar pelas duas rivais.

É um caso exemplar da absurda situação criada em função das espúrias e hipócritas relações que os órgãos de imprensa e a mídia em geral mantêm com o poder brasileiro. Situações que também estão chegando à população de forma tão distorcida como a realidade geralmente mostrada e representada por esses órgãos.

Muitos afirmam que se trata apenas de uma “guerra por audiência”.

De fato, a Globo está incomodada com a concorrência da Record. Afinal, estamos falando, literalmente, de milhões de reais investidos diariamente pelo mercado publicitário em função da promessa de retorno apontada pelos índices do Ibope. Só para se dar uma ideia do que estamos falando, basta dizer que um intervalo de 30 segundos no chamado horário nobre (entre 20 e 22 horas) custa algo em torno de R$ 300 mil.

Contudo, isso é apenas a superfície de algo muito mais complicado. São brigas entre setores que, na verdade, têm tudo a ver um com o outro.“Uma guerra privada com armas públicas”O subtítulo, emprestado de uma matéria publicada no site da revista “Caros Amigos” no dia 21 de agosto, resume bem o que realmente está acontecendo. Como afirma o repórter Rodolfo Viana, não há “mocinhos” nessa história e “também não há mentiras nos ataques de uma contra a outra: os Marinho sempre tiveram uma relação espúria com o poder e a Record, uma interação promíscua com a Igreja Universal do Reino de Deus. Mas o problema central nessa guerra é que estão guerreando com armas alheias. Estão guerreando com armas públicas”.

O centro da crítica da “Caros Amigos” é um fato inquestionável: canais de TV são concessões públicas, que deveriam atender aos interesses da população. O que temos visto é uma disputa motivada pelos lucros e interesses do punhado de gente que controla essas redes. Uma briga que está sendo utilizada por ambos os lados para aumentar ainda mais o volume de seus cofres.No “vale-tudo” armado pelas duas emissoras, não há “golpe” que seja proibido. A Record está exibindo partes do documentário “Além do Cidadão Kane”, produzido por um canal de TV britânico depois do escândalo envolvendo a montagem que a Globo fez do debate entre Lula e Collor, nas eleições de 1989, beneficiando claramente o segundo (atual amicíssimo de Lula, Sarney e demais comparsas).A Globo também tem de tudo. Além de “montar” reportagens em seus principais noticiários para cutucar a concorrente, a emissora prepara-se para atacar numa área em que é reconhecidamente eficaz: a ficção. Já está definido, por exemplo, que na próxima edição de “Ó Pai, Ó”, os personagens evangélicos do seriado se envolverão com corrupção e desvio de dinheiro da igreja.

Mansões e templos habitados pelo poder

Apesar do clima de “barraco” que tem cercado a disputa, o que temos visto é algo como dois latifundiários que ficam mudando a “cerca” de sua propriedade para “roubar” terras um do outro.O problema para a maioria da população é que o simples “mover de cercas” não significa que o terreno ficará livre para outros. Muito pelo contrário. Nessa briga, o “terreno”, ou seja, a própria sociedade, só muda de mãos, ficando sempre submetida à lógica do mercado, da ideologia dominante e seus valores degenerados e da distorcida visão de mundo que nos é apresentada pelos meios de comunicação. Como costumam dizer os teóricos marxistas da comunicação, os órgãos da imprensa e da mídia não mandam diretamente na sociedade (como muitos acreditam, ao dizerem, por exemplo, “que a Globo faz e desfaz presidentes”), mas são importantes agentes do poder. Por exemplo, desempenham um importante papel nos processos eleitorais. E não há dúvida de que esse “serviço” será cobrado a peso de ouro em 2010.Mas são como “espaços” habitados pela burguesia, que detém o poder através da propriedade das indústrias, bancos, fazendas e negócios que financiam o mercado publicitário e, consequentemente, controlam o que é levado ao público e a forma como isso deve ser feito.Como não poderia deixar de ser, essas “mansões” ou “latifúndios” dividem-se entre diferentes setores da burguesia. No caso brasileiro, em que as concessões são dadas pelo Congresso, não é de se espantar que a maioria dos “proprietários” seja de famílias de políticos tradicionais, como os Sarney (Maranhão), os Barbalho (Pará) e os Magalhães (Bahia). Mas também sobra espaço para a instalação de outros setores, principalmente de instituições auxiliares do poder como as igrejas, tanto católicas como protestantes. Aproveitando-se da fé da população, essas instituições se encastelaram em emissoras de rádio e TV para, com dinheiro público, fazer propaganda de seus interesses e encher os bolsos de seus proprietários, charlatães de todos os tipos, sejam eles orientados pelo Vaticano ou pelos templos evangélicos, como Edir Macedo, os bispos da Renascer ou qualquer outro.

Por uma “reforma agrária no ar”

A única forma de pôr fim a essa história é com a democratização dos meios de comunicação, o fim do monopólio, da propriedade cruzada (os mesmos grupos e famílias detêm o monopólio da informação, contando com a posse de rádios, televisões, jornais, sites, etc) e das concessões de cartas marcadas.

Algo que já foi defendido pelo PT, a CUT, a UNE e outras entidades dos movimentos sociais que, hoje, não só abandonaram essa luta, como também vivem uma promíscua relação com os Marinho, a Universal e demais representantes da mídia.

Enquanto meia dúzia de famílias e grupos continuarem a ter o monopólio dos meios de comunicação, a população continuará como vítima de suas manipulações. E também seguirá essa divisão sem sentido, pois, afinal, não estamos diante de uma briga entre o “padrão global” e a “ousadia da Record”, muito menos entre católicos e evangélicos.Uma disputa acirrada pelas consequências da crise, que os obriga a serem mais ferozes nas suas investidas sobre o público que, infelizmente, continua sendo a principal vítima dessa situação lamentável.
Quanto vale a cultura?

Cristiano Nery, de São Paulo (SP)*

• Uma grande festa, que contou com personalidades artísticas como Zezé Motta, Chico César, Fafá de Belém, Bruna Lombardi, Tetê Espínola entre outras, foi feita no dia 23 de julho para comemorar a assinatura do Projeto de Lei que cria o vale-cultura. Os mestres de cerimônia foram o presidente Lula e o ministro da Cultura Juca Ferreira.O projeto tem o intuito de criar um vale no valor de R$ 50 para que os trabalhadores utilizem na compra de CDs, DVDs, livros, ingressos de teatro, cinema, museus, shows etc. O governo anunciou que o vale-cultura movimentará em torno de R$ 7,2 bilhões por ano no consumo cultural e atingirá aproximadamente 12 milhões de trabalhadores.Quem esta festejando o vale-cultura?O governo Lula vem fazendo uma megacampanha de que a crise passou, apoiado no fôlego que a economia ganhou em relação aos meses dos três últimos trimestres. Com isso, tem se vangloriado com as medidas que vem tomando para sair da crise. A principal delas foi dar aproximadamente R$ 300 bilhões para as grandes empresas e bancos.Não é de se admirar que, depois de isentar as montadoras do pagamento de parte do IPI (Imposto Sobre Produtos Industrializados) e dos impostos da chamada linha branca de eletrodomésticos, agora o governo queira dar para a indústria cultural aproximadamente R$ 2,7 bilhões por ano em isenções fiscais através do vale-cultura. É importante lembrar que quem está por trás da indústria cultural e receberá isenção fiscal são os grandes bancos como Itaú e Bradesco e grandes empresas como Vale, Fiat, Mercedes, entre outras que se enquadram na tributação do Imposto de Renda baseado no Lucro Real, ou seja, aquelas que têm uma receita total superior a R$ 48 milhões. Essas empresas poderão ficar isentas de até 1% do Imposto de Renda devido.Lula vem seguindo a mesma política dos governos anteriores de ajuda às empresas dando dinheiro através da renúncia fiscal. Empresas estas que estão demitindo vários trabalhadores e usando todos os artifícios para preservar seus lucros. Não é por outro motivo que o governo enviou o projeto para o congresso em regime de urgência, inclusive separado da reforma da Lei Rouanet, que está emperrada no gabinete do Ministério da Cultura (Minc) por conta das polêmicas em torno do projeto.Mas o trabalhador não vai ser beneficiado?Logo de cara, as pessoas estão achando o vale-cultura muito bom para o trabalhador já que, assim, enfim eles terão acesso à cultura. Só que, independentemente da aparência e da campanha que Lula e Juca Ferreira vêm fazendo, o trabalhador vai sair muito prejudicado com ele.O vale-cultura, assim como os outros vales – transporte, alimentação etc. – causam uma distorção no salário do trabalhador, uma vez que, nesses benefícios, não incidem INSS, FGTS, 13º, um terço de férias e outros benefícios ao qual o trabalhador tem direito. Seus efeitos só serão sentidos quando o trabalhador for sacar o FGTS, receber o 13º e um terço de férias no fim do ano e for se aposentar. Só então perceberá que os seus direitos diminuíram bastante, por que ele não receberá os valores correspondentes aos vales.Isso reduz também os impostos das empresas já que os valores investidos nos vales não têm incidência de impostos. Na hora da negociação salarial, serão levados em consideração os R$ 50 do vale-cultura, mesmo que de forma distorcida como parte do salário dos trabalhadores pressionando para que os reajustes do verdadeiro salário sejam menores.Como se não bastasse tudo isso, de acordo com o projeto, os trabalhadores que recebem até cinco salários mínimos terão de pagar 10% (R$ 5) por mês, e os que recebem acima de cinco salários vão pagar de 20% a 90%.Além das questões econômicas, o governo diz que com o vale-cultura existirá a democratização da cultura com cerca de 12 milhões de trabalhadores tendo a chance de ter acesso a ela, o que mudaria o número do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de que 86% da população brasileira não vai ao cinema regularmente, 83% não compra livros, 96% não frequenta museus, 93% nunca foi a uma exposição de arte, 78% nunca assistiu a um espetáculo de dança e mais de 75% dos municípios não têm centros culturais, museus, teatros, cinemas ou espaços culturais multiuso.Só que não existe nada que comprove isso, já que o vale-cultura pode ser tratado como os outros vales que os trabalhadores normalmente trocam por dinheiro para poder complementar a sua renda. Além disso, uma parte dessas 12 milhões de pessoas, que receberão o vale-cultura já consome alguns produtos culturais e só substituirão uma parte do dinheiro pelo uso do vale. Como o leque de produtos que podem ser comprados com o vale é muito abrangente, parte deles já são comprados, e só mudará a forma de pagamento.A pergunta que fica no ar é: o que acontece com os trabalhadores que não têm carteira assinada? E os que trabalham para pequenas empresas que não se enquadram no Lucro Real (que é o caso da maior parte dos trabalhadores)? E R$ 50 são suficientes para toda família? O trabalhador terá fácil acesso? São perguntas que o governo e seu projeto não respondem. Mas as propostas do movimento dos trabalhadores da cultura podem responder esse questionamento.Consumo culturalÉ bastante nítido o quanto vem avançando a mercantilização da cultura, o quanto vem se ampliando a concentração e o fortalecimento da indústria cultural que é a quem cabe a maior parte da produção cultural junto com alguns grandes produtores. Por isso, a lógica predominante é a do capital que tem o intuito de produzir o que dê lucro, fazendo com que a produção de enlatados se torne a regra em detrimento das produções culturais e artísticas de qualidade.O vale-cultura aprofunda a lógica mercantilista e de mediocridade cultural, pois os maiores beneficiados serão os grandes empresários que controlam a produção cultural. Eles são, na maior parte das vezes, os mesmos que terão isenção de impostos, já que boa parte dos cinemas, casas de shows etc. pertencem a fundações ligadas a grandes bancos e empresas como Itaú, Bradesco, HSBC, Unibanco, entre outros. Apesar de ganharem rios de dinheiro, ainda têm a cara-de-pau de cobrar ingressos caríssimos que, mesmo com o vale-cultura, continuarão sendo uma barreira para que o trabalhador tenha acesso.Essa lógica mostra o quanto é mentirosa a afirmação do governo de que o trabalhador vai escolher o que vai consumir já que os produtores terão de produzir o que agrade aos consumidores, diferentemente do que acontece com a Lei Rouanet, em que os departamentos de marketing decidem o que vai ser produzido. Na prática isso não vai acontecer, porque quem vai continuar produzindo são os mesmos grandes empresários e produtores de sempre. Restará para os trabalhadores simplesmente optar pelo menos pior. Percebesse que, em vez de caminharmos para uma maior democratização cultural, estamos dando passos cada vez mais largos em direção a uma ditadura cultural do capital.Uma solução simplesPara os trabalhadores da arte – escritores, dançarinos, músicos, atores etc. – é muito fácil e nítido o cálculo da equação “financiamento = acesso à cultura de qualidade”. Basta que, ao invés de o governo destinar toda esta verba para as empresas, disponibilize toda ela diretamente para os trabalhadores da arte.Se calcularmos a partir de tudo que foi exposto até aqui, poderemos perceber que o governo arcará com muito mais que R$ 2,7 bilhões, se levarmos em consideração o que as empresas vão ganhar com isenção fiscal e com o que vão deixar de pagar de impostos com aumento de salário, já que o vale-cultura pressiona para que o aumento seja menor. Se nessa soma adicionarmos R$ 1,3 bilhões da Lei Rouanet e mais R$ 400 milhões de outros gastos e projetos, atingiremos uma cifra de quase R$ 5 bilhões. Esse será o maior valor já disponibilizado para a cultura no Brasil. Só que esse montante acaba indo parar nos bolsos das grandes empresas e bancos, da indústria cultural e dos grandes produtores.Agora, imaginemos R$ 5 bilhões sob controle dos trabalhadores, investidos em programas culturais como: produção e distribuição de livros; produção de filmes, construção de cinemas e estúdios de filmagens; produção de peças, espetáculos de música e dança, construção de teatros e arenas de circo; produção de estúdios, espaços para shows e eventos de música; investimento em faculdades e escolas de artes públicas e gratuitas; valorização da cultura popular e de vanguarda; programas de desenvolvimento de novas tecnologias e educação; dentre outros.Isso sim possibilitaria o acesso inclusive gratuito dos trabalhadores e do povo pobre independentemente de ter ou não carteira assinada, em cifras infinitamente superiores inclusive à meta de R$ 12 milhões do governo. Sem contar o avanço da qualidade das produções culturais, pois a lógica deixaria de ser produzir o que dá lucro e sim o que faz avançar o conhecimento do ser humano sobre si e o que lhe rodeia, sobre o que desenvolve as potencialidades humanas e sua interpretação da realidade. Para isso, é preciso uma produção livre e independente que só pode ser garantida se for com o controle dos trabalhadores, em que o papel do Estado seria o de financiador.Possibilitaria, também, que os trabalhadores da arte pudessem viver da arte, se dedicando a ela cada vez mais, diferentemente do que acontece hoje, em que os trabalhadores da cultura são tratados como vagabundos, como pessoas que não têm emprego. Na maioria das vezes, no entanto, eles têm de se matar vendendo a sua força de trabalho por uma remuneração miserável para poder se manter. Isso faz com que a grande maioria ganhe a vida em outra profissão. Só poucos conseguem sobreviver, justamente porque um punhado de privilegiados globais concentra a maior parte dos financiamentos por estarem totalmente adaptados à arte comercial e ligados à indústria cultural.Apesar de a maioria dos trabalhadores da cultura ainda acreditarem que o governo Lula e o ministro da Cultura estão tentando melhorar a cultura no Brasil, o que se vê, na prática, é que a postura deles tem sido de defender e ajudar, de todas as formas possíveis, inclusive financeiramente, os ricos. Lula e o PT mudaram de lado e se dispuseram a administrar o estado burguês da melhor forma possível para os patrões. É justamente isso que explica a doação de dinheiro às empresas enquanto a cultura se despedaça com a banalização e mediocridade imposta pela mercantilização.A luta pelo avanço da cultura passa pela luta também contra o governo e suas medidas neoliberais. Por isso, os trabalhadores da arte, como os que estão reunidos no Movimento 27 de Março (M27M) têm de levantar bem alto a bandeira do financiamento público para cultura. Isso passa por não aceitar nenhuma medida de qualquer governo no sentido de repassar para empresas dinheiro público da cultura, seja através de isenção fiscal, seja de qualquer outra forma.O financiamento público é muito importante para o desenvolvimento cultural, mas nós queremos mais que isso. Nós queremos o defende o Coletivo dos Artistas Socialista (CAS), que é toda liberdade em arte e que, para isso, é preciso derrubar essa estrutura social podre e construir outra sociedade, uma sociedade socialista.

*Cristiano Nery faz parte do Grupo de Teatro Trabalhadores da Arte, do Coletivo de Artistas Socialistas (CAS) e do Movimento 27 de Março